Em consulta pública, maioria diz não à exigência de receita para vacina

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A maioria das pessoas que respondeu à consulta pública, aberta pelo Ministério da Saúde, sobre a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos contra a covid-19 foi contra a necessidade de receita médica para a imunização do público infantil. De acordo com o governo federal, a sondagem recebeu, até o encerramento na noite do último domingo, 99.309 respostas.

O número foi informado pela secretária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério, Rosana Leite de Melo, durante a audiência pública que debateu o assunto, ontem, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília. Em 16 de dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina Pfizer contra o novo coronavírus para crianças de 5 a 11 anos. Desde então, o governo federal tem colocado vários entraves à imunização, e a consulta pública — contestada por especialistas e pela Anvisa — foi apenas um desses.

O governo disse, ainda, que a maioria das pessoas que respondeu à sondagem foi contrária à obrigatoriedade da vacinação na faixa 5-11 anos. O próximo passo é a elaboração de um documento com as diretrizes a serem adotadas para a vacinação das crianças, com base no resultado da consulta e da discussão realizada ontem.

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A audiência no prédio da Opas contou com a participação de especialistas na área de saúde, entidades e autoridades. Durante a reunião, os convidados apresentaram dados e teses sobre a aplicação do imunizante no grupo infantil.

A representante da Opas, Socorro Gross, ressaltou que a vacinação “é um dos elementos mais importantes para salvar vidas” e atribuiu o sucesso da vacinação contra a covid-19 no Brasil ao Sistema Único de Saúde (SUS), “porque é universal, gratuito e integral”.

Marjori Dulcine, representante do laboratório Pfizer — cuja vacina foi recomendada pela Anvisa para aplicação pediátrica —, destacou o alto risco da covid-19, ao qual as crianças permanecerão expostas se não forem vacinadas. “Elas são uma fonte importante para a transmissão da doença, podendo transmitir a covid-19 por períodos mais longos, e se tornarem as principais disseminadoras da pandemia em um futuro próximo”, alertou.

“A doença impacta muito mais os adultos, entretanto isso nos distraiu da relevância que essa doença tem para a população pediátrica”, disse o representante da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi. “Cada vez que um pai ou uma mãe internava uma criança com covid-19, o risco de morte era de 7%. Ou seja, a cada 15 crianças hospitalizadas, uma acabava sendo vítima fatal”, lembrou.

Os especialistas também teceram críticas à consulta do ministério. “O que nós necessitamos saber é o que a população precisa, e não o que a população entende, já que não tem os subsídios científicos para responder às perguntas”, argumentou a representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai.

Para o representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Nesio de Medeiros, toda a posição que estimule a hesitação vacinal deve ser combatida, “pois reduz a capacidade do sistema de saúde de promover saúde e prevenir doenças. A vacinação tem importância para as crianças porque elas não merecem o vírus. Elas merecem uma proteção segura”, afirmou.

Já José Davi Urbaez, que falou em nome da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), indicou que “temos que sair dessa nuvem de hesitação vacinal e continuar na construção coerente de uma política pública de vacinação que inclua todas essas crianças”.

Por Correio Braziliense 

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