O centenário de Paulo Freire, por Luiz Calixto

- Publicidade -

A educação brasileira e muitos estudiosos de faculdades reconhecidas mundialmente comemoram neste ano o centenário de nascimento do pernambucano Paulo Freire, idealizador de um método revolucionário para alfabetização de adultos.

Paulo Freire dava pouca importância ao modelo tradicional e de alienação do tipo “Vovô viu a uva” e o “O boi baba”. O sistema revolucionário consiste , sobretudo, em forjar cidadãos com visão crítica da sociedade e do meio no qual interagem.

O objetivo fundamental de Paulo Freire era promover, além da alfabetização, da separação das sílabas necessárias a correta leitura e interpretação, a análise dos problemas reais de que afetavam o dia a dia do cidadão alfabetizado.

- Publicidade -

E por que, depois de ser considerado o patrono da educação brasileira e festejado e copiado mudialmente, justamente agora a memória de Paulo Freire passou a ser atacada covardemente pela parcela da população brasileira identificada com o presidente?

Simples: as ideias do bolsonarismo só germinam em terreno onde prevalece a ignorância, o desconhecimento da realidade. Onde há cultura, onde há espaço para o debate, essas idiotices não criam asas, tampouco se desenvolvem.

Aos “teóricos” dessa doença interessa o indivíduo que leia um texto e ao final não saiba o que acabou de ler. O cidadão capaz de compreender e criticar não é bem-vindo ao sistema.

Não interessa a eles a formação de cidadãos. É melhor que haja pessoas que acreditem que fuzil é melhor que feijão e que bala é melhor que o diálogo.

Diante da desmedida estupidez a Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu qualquer ataque à dignidade do professor Paulo Freire, mas as milícias digitais que sequer leram uma de suas obras o apunhalam hediodamente.

Infelizmente, o resultado de qualquer decisão política não é imediato. Há um tempo razoável de maturação, quer seja para o bem ou para o mal.

Não por acaso, por exemplo, uma multidão apoia a ida de seu presidente para uma reunião da ONU sem que este esteja devidamente vacinado contra o vírus causador da maior tragédia sanitária do mundo.

Enquanto os líderes das nações deram o exemplo, o nosso afrontou a ciência se opondo a tudo que fosse recomendado pelas autoridades de saúde.

Não estranharei o número de comentários a me atacar por causa de minha opinião neste artigo. Sem um exército de incautos e maldosos, o modelo deles não prospera.

Como escrevi acima e em outros artigos, a ignorância é a correia de transmissão dessa segmento. A sobrevivência desse engodo precisa de gente que confunde uma palestra para adolescente sobre doenças sexualmente transmissíveis com estímulo à sexualidade.

O tempo, infelizmente, haverá de provar que esse momento de transe vai custar muito caro ao país e as consequências dele serão devastadoras.

Luiz Calixto é Economista e ex-deputado estadual. 

Related Articles