‘Capitã cloroquina’ diz em vídeo que enviou perguntas para governistas da CPI

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A secretária da Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”, disse em um vídeo ter enviado a senadores governistas da CPI da Covid perguntas para que eles fizessem a ela durante o depoimento que prestou à comissão. A declaração foi dada enquanto a servidora discutia com o pesquisador Regis Bruni Andriolo e o também secretário da pasta Helio Angotti Neto as possíveis respostas que poderia dar aos parlamentares na CPI. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

“A gente tem um grupo que nos apoia, que acredita no nosso trabalho. Esse grupo tem que fazer perguntas, no direito que eles têm de interrogar o depoente, que nos ajudem no nosso discurso. Então, que perguntas eu posso dar para esses senadores fazerem a mim. Entendeu? Eles jogam para eu fazer o gol. Eles chutam para eu fazer o gol”, disse Mayra na gravação.

De acordo com a servidora, ao menos cinco senadores teriam feito perguntas que a favorecesse. O link da gravação aparece em um e-mail encaminhado a Mayra por Andriolo, dias antes do depoimento dela.

Depoimento na CPI

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Na CPI da Covid, a secretária defendeu o uso da hidroxicloroquina, medicamento sem eficácia comprovada para tratamento da Covid-19. Ela também admitiu que o Ministério da Saúde orientou médicos de todo o país para que adotassem o tratamento precoce.

Mayra Pinheiro afirmou que quem criou a plataforma TrateCov foram os técnicos de sua secretaria. A médica foi confrontada com a afirmação dada à comissão pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que atribuiu a ela a idealização do aplicativo – que recomendava o uso de antibióticos, cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça, inclusive para bebês.

Mayra alegou que a ideia de formular a plataforma surgiu da constatação do problema sanitário em Manaus, e que a ferramenta poderia ajudar no diagnóstico dos pacientes com covid. Mayra é investigada em ação que corre em segredo na Justiça do Amazonas.

A servidora confirmou ter dito à Secretaria de Saúde do estado que era inadmissível não adotar a orientação da pasta sobre a utilização desses medicamentos —ineficazes no enfrentamento da doença, segundo estudos.

Por IstoÉ

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