Prefeitura realiza vacinação contra COVID na zona rural

Por Assessoria 

Mais de sessenta servidores da secretaria municipal de saúde, organizados em quinze equipes, participaram neste sábado, 15, de uma ação intensiva de vacinação nos ramais de Cruzeiro do Sul.

Técnicos de saúde realizam vacinação na zona rural

A partir do cadastro prévio de cerca de 1.200 pessoas, realizado nas localidades pelos agentes comunitários de saúde, nos mais de 700 kms de ramais de Cruzeiro do Sul, as equipes formadas por enfermeiras, técnicas em enfermagem e ACS realizaram o trabalho de busca ativa dos portadores de comorbidades entre 18 a 59 anos. Ou seja, os profissionais foram a domicílio buscar os portadores de comorbidades mesmo nos ramais mais distantes.

O imunizante utilizado foi o da Fiocruz/Astra Zêneca. O secretário municipal de saúde, Dr. Agnaldo Lima, acompanhou o trabalho de uma das equipes no ramal 3, o maior e mais populoso ramal de Cruzeiro do Sul, que dá acesso a outros ramais adjacentes.

Na localidade mais distante indicada pelo agente comunitário de saúde da área, a equipe de saúde alcançou no ramal 12 o casal Antônio Jacinto da Costa, 74 anos, e Maria Barroso, de 70, que apesar de não serem o público alvo do dia, receberam a imunização. A localidade fica distante cerca de 80 quilômetros de Cruzeiro do Sul, sendo aproximadamente metade dessa distância, sem asfalto e em condições precárias.

Antônio e Maria já deveriam ter sido vacinados, mas no período de chuvas alguns trechos se tornam intrafegáveis.

“No inverno (período chuvoso), nem boi passa. De jipe leva três ou quatro dias para chegar até aqui”, conta Augusto Barroso, 35, filho do casal.

“Tentamos três vezes sem conseguir”, explica o Agente Comunitário de Saúde Gildo da Conceição. Ele mora no ramal e conhece cada morador pelo nome, suas idades, e eventuais problemas de saúde que acompanha de perto, o que facilita muito o trabalho da equipe de vacinação.

“Agora que deu um ‘verãozinho’ pudemos chegar até aqui”, conta satisfeito, o ACS.

“Tudo depende daquele lá de cima, mas tendo remédio, a gente tem que tomar”, disse sr. Antônio Jacinto.

“Essa doença é cruel. A notícia é que tem trazido morte. Graças a Deus, não peguei, e agora com a vacina, me sinto mais segura”, conta Dona Maria.

A rejeição à vacina, infelizmente também é uma realidade. Algumas pessoas, por razões diversas, tem medo e se recusam a receber a aplicação. Nesse caso, a pessoa assina um termo de recusa afirmando que a equipe chegou até ela. É um dos procedimentos para solicitar o remanejamento das doses recusadas para outros grupos prioritários.

“A rejeição existe, mas é uma minoria. A gente não desanima, o nosso papel é levar a vacina mesmo às pessoas que possam estar mais distantes”, explicou a enfermeira Andreia Maia, membro da equipe de imunização presente em campo.

Para a maioria, contudo, a chegada da equipe de vacinação é motivo de alegria. Foi o que aconteceu com a Dona Maria Auxiliadora, 49.
Emocionada, ela deixa escapar algumas lágrimas enquanto recebe a vacina. Não pela dor da picada, mas pelo alívio de se sentir mais segura, diante de uma doença que já vitimou mais de 400 mil brasileiros.

“É emocionante. Estou muito feliz. Esperei muito por esse momento. Tive muito medo dessa doença. Minhas filhas não me deixavam sair de casa, com medo do pior“, conta.

Sua hipertensão crônica fez com que suas filhas evitassem sua saída, como forma de preservá-la da doença. “a gente ia na cidade, buscar o benefício, fazia as compras. Tudo para preservar ela dessa doença, por causa do problema de pressão dela. Por isso, para nós é um alívio ela estar recebendo a vacina. Me sinto muito feliz, mas tranquilas mesmo, vamos estar depois que ela receber a segunda dose”, disse a filha Daniela da Silva, 20.

A reação de dona Maria Auxiliadora e suas filhas traz uma gratificação a mais para a equipe de imunização, pelos esforços em alcançar as pessoas mais distantes.

“Mesmo que tenhamos que andar 200 kms para vacinar uma única pessoa, nós faremos, porque esse é lema da nossa equipe”, diz a enfermeira Andreia Maia.

“O trabalho é grande e a logística é complicada. Mas esse é o papel do SUS: chegar até onde tiver que chegar, mesmo que seja para vacinar uma única pessoa”, explica o Secretário Municipal de saúde Dr. Agnaldo Lima.

A vacinação segue em Cruzeiro do Sul mantendo a proporção entre doses aplicadas e doses recebidas na casa dos 90%, uma determinação do prefeito Zequinha Lima para agilizar ao máximo a vacinação, dentro dos parâmetros definidos pelo Programa Nacional de Imunização.

“Iremos continuar empenhando todos os esforços ao nosso alcance para alcançar o máximo de pessoas com a vacina, para que o quanto antes, possamos virar essa página da pandemia”, concluiu o prefeito.

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