Desafios fitossanitários podem dar gosto amargo ao café brasileiro

A história do Brasil passa pelo cultivo de café. Desde a metade do século XVI, o país se destaca como o maior produtor mundial do grão, cuja comercialização foi a primeira a ganhar importância econômica após a independência, em 1822, tanto em termos de consumo interno quanto na exportação. Duzentos anos depois, o café continua em destaque: são mais de 3 milhões de toneladas produzidas anualmente em 17 estados. 

“Ao longo das décadas, a produção de café se profissionalizou. Atualmente, o grão movimenta mais de R$ 17,6 bilhões em valor bruto”, conta Julio Borges, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), ao citar dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “A produção cresce e também aumenta o consumo, tanto de café verde quanto do torrado”, complementa o dirigente. 

Os números do café são imensos, inclusive em relação ao consumo, já que o brasileiro é apaixonado por essa bebida. O consumo per capita de café em grão é de cerca de 6 quilos ao ano, enquanto o de café torrado fica próximo de 4,8 quilos, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). 

Nem tudo são boas notícias. O grão que faz do café a segunda bebida mais consumida no planeta – atrás apenas da água – está em constante perigo, por causa dos frequentes e intensos desafios fitossanitários que acontecem no campo: insetos, doenças e plantas daninhas estão à espreita para prejudicar a produção. 

“Identificado desde a década de 1850 – e tão antigo quanto o café –, o bicho-mineiro é uma das principais dores de cabeça dos produtores. Sozinho, esse inseto de pouco mais de meio centímetro pode representar quebra de até 80% da produção”, informa Julio Borges. “Outras importantes pragas que prejudicam o café são a broca-do-café, a cigarra e o ácaro vermelho, além de diversas plantas daninhas que disputam os alimentos com a lavoura, como a buva, o caruru e diversas espécies de capim”. 

Os fungos também exigem cuidado especial do produtor de café. Se não for tratada adequadamente, a ferrugem do cafeeiro – doença foliar mais importante a atingir o cultivo – pode causar prejuízos de até 70% na safra. Comum em temperaturas mais amenas e resistente à seca, a ferrugem tem sua presença favorecida pela incidência da chuva e dos ventos. Além dessa doença, outras duas estão no radar constante dos cafeicultores: a cercosporiose e a mancha-de-phoma. 

“A incidência de pragas e doenças poder provocar perdas de até 2,4 milhões de toneladas em produção, ou R$ 14 bilhões em recursos. A consequência? Aumento dramático dos preços do café. Além disso, como a produção seria insuficiente para o mercado interno, precisaríamos inverter nossa posição no mercado externo: de exportadores passaríamos a importadores. Esse cenário agravaria ainda mais os preços, pois estaríamos mais dependentes da variação do dólar”, destaca o presidente do Sindiveg. 

A solução para essa ameaça iminente é proteger a produção de café, controlando os inimigos. A indústria, por meio da ciência e da tecnologia, está empenhada em auxiliar os agricultores a vencer mais esse desafio. “O Brasil tem os recursos mais avançados para controlar pragas e doenças da agricultura, que se espalham facilmente devido ao clima propício e rapidamente podem criar resistência a tecnologias tradicionais”, explica Eliane Kay, diretora executiva do Sindiveg. 

Eliane explica que os defensivos agrícolas, usados de forma correta e segura, protegem o café, mantendo sua qualidade e segurança. “Além disso, é importante destacar que antes de ser comercializadas, as soluções são testadas e submetidas a longo e rigoroso processo de avaliação, que leva vários anos até a autorização de uso. Esse cuidado é a garantia de que os esses insumos são benéficos para agricultores, comerciantes e consumidores”, finaliza Eliane. 

Rafael Iglesias

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