Branquitude, uberização do trabalho e afroempreendedorismo* (Por: Sulamita Rosa**)

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Hoje é dia do trabalhador, mas em plena Pandemia estamos vivenciando uma onda de desempregos muito grande, gerando o agravamento da miséria e da fome no país.

E a dor da fome, Carolina Maria de Jesus nos ensinou muito bem, em “Quarto do despejo” [1], obra essa tão apreciada pela branquitude, mas que não é posta para a sua própria autoanálise, tornando tardio o impacto real de ações para o provimento de políticas públicas.

O que vemos, como diz Ricardo Antunes [2], tem sido a uberização do trabalho, em que o trabalhador precisa estar “no corre” sem direitos trabalhistas atendidos, justificando essas ações com o chamado empreendedorismo.

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Certa vez lancei uma pauta aqui, sobre o termo afroempreendedor. Com as discussões sobre o Movimento Black Money, pude perceber que nosso povo preto tem afroempreendido desde sua migração forçada para cá, tendo como exemplo, Luiza Mahin, mulher negra ex escravizada, nascida no início do século XIX, sobrevivendo como quituteira em Salvador.

Por mais que façamos análises críticas contra o sistema branco/cis/heteronormativo e capitalista, precisamos continuar tentando sobreviver e fortalecer os nossos.

A branquitude se fortalece cada vez mais dando poder de capital aos seus, e isso, nós precisamos fazer com os nossos de modo mais organizado e efetivo.

Feliz dia trabalhadores negros e não negros de todo o Brasil. Que possamos juntxs lutar por efetivas mudanças na sociedade de modo não romântico, e pensar e executar ações pontuais no combate às desigualdades, através da equidade e do fortalecimento do povo preto.

*Texto publicado originalmente no perfil da autora (https://www.instagram.com/p/COWV611htef/?utm_source=ig_web_copy_link) no Instagram.

**Sulamita Rosa é graduada em Pedagogia (2013-2017) e Mestra em Educação (2017-2019) pela Universidade Federal do Acre. Pesquisa temáticas relacionadas a: educação para as relações étnico-raciais e de gênero; interseccionalidade, epistemologias feministas negras, currículo e didática voltados para a inclusão e equidade no processo educativo. Executa o projeto Rede MulherAções – Rede de Formações para Negras, Afroindígenas e indígenas do Acre (Neabi/Ufac). É pesquisadora associada a ABPN – Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as. 

[1] DE JESUS, C. M. Quarto de despejo. São Paulo: Francisco Alves, 1960

[2] ANTUNES, R. (Org.) Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0. – 1. ed. – São Paulo: Boitempo, 2020.

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