Em Jordão, policiais civis são acusados de abuso de autoridade e tortura psicológica contra menor de 11 anos

O que seria uma comemoração de aniversário, tornou-se um verdadeiro trauma para o menor P. R. S, de 11 anos, morador da cidade de Jordão, no interior do Acre. Na noite de segunda-feira, 26, quando a criança -( pois segundo o ECA é considerado adolescente a partir dos 12 anos) –  e mais três amigos festejavam o momento no terreiro da casa do seu pai, o professor Bió, com tereré (erva mate) e música numa caixa de som, foram abordados pelos agentes Alailson e Mezaqui, acusando-o de seres usuários de drogas.
 
O menor de 11 anos e os três amigos foram levados até a viatura e passaram por uma revista durante cerca de trinta minutos, no meio da rua. Em seguida, os policiais algemaram os três colegas de  P. R. S e levaram para a Delegacia, mesmo não tendo encontrado nada de ilícito com eles.
 
Ao chegar na delegacia, a tortura psicológica foi ainda maior, relatas os menores. Porque os policiais mandaram que eles tirassem a roupa. Além de fazer ameaças, querendo que eles confessassem ser traficantes.
 
O professor Francisco Souza Somba (Bió), que também trabalha com a venda de açaí, narra que o filho está horrorizado com o que viveu nas mãos dos servidores públicos da área de segurança pública. “Estou decepcionado, aqui no Jordão aconteceu um fato, no aniversário do meu filho, a Polícia Civil de Jordão, pegou ele, encostou no carro, pensando que ele era um traficante, um maconheiro (choro). E aí meu filho saiu pra rua, no comércio o cara perguntou se ele fumou droga, uma criança de 11 anos porra. Uma criança de 11 anos jamais poderiam fazer isso. Ele não quer sair nem pra rua, para entregar uma coisa, porque tá com medo da polícia.  Porque no aniversário dele, vieram aqui bagunçaram, levaram meu celular, a caixinha de som. Levaram os caras para delegacia e fizeram do que fizeram. Deixaram o cara nuzinho. Até um cara suspeito de estar com corona foi preso, no meio de cinco pessoas lá dentro”, conta o pai da criança.
 
“Rapaz , nós tava aqui, na casa do Bió, dentro do quintal dele, bebendo um teres, eu moro aqui, vim lá do Muru trabalhar. Aí, têm uns colegas que vem beber teres, aí eles chegaram e levaram o menino para o meio da rua. Passaram uma meia hora com nós lá. Em pé no meio da rua, fizeram nós dormir na delegacia tudo nu. Foi uma depressão pra nós, porque no meio da sociedade, a gente fica meio queimado, o pessoal tudo vendo nós, tudo jovem, atrás de trabalhar e estudar”, conta um dos jovens que acusam os agentes.
 
Nossa reportagem entrou em contato com os policiais citados para ouvir a versão. Contudo, nenhum dos dois respondeu as mensagens de WhatsApp, apesar de visualizar. Também ligamos no celular do PC Mezaqui 68 99234**32, ele atendeu , mas quando dissemos do que se tratava, a ligação caiu. 

O Conselheiro  Tutelar  Francisco  das Chagas ( Chaguinha) espera que os pais dos menores procurem o órgão  municipal,  para que eles possam encaminhar  a denúncia  ao Ministério  Público  e à Corregedoria  da Polícia Civil. 

Os dois agentes citados na matéria  estão  em estágio  probatório. Que é  o período  que o servidor  tem para se adaptar  ao serviço  público.

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