Conheça a história do artista visual Mardilson Torres, criador da bandeira de Bujari; veja as obras de arte

A ligação do talentoso artista acreano Mardilson Torres, 45 anos, com a arte vem desde a infância. Quando criança, o mágico da pintura, reproduzia os heróis de gibis, das famosas histórias em quadrinho, para um colega. Em troca, o amigo permitia que Torres andasse na sua bicicleta. Ele também desenhava os personagens que assistia nos desenhos animados que passavam na TV. “Quando eu era criança descobri minhas habilidades com desenhos.  Tinha facilidade de reproduzir heróis dos gibis (história em quadrinhos). Fiz muitos desenhos para um saudoso colega em troca de voltas de bicicleta.  Sempre tive influência dos desenhos animado. Eu via na TV e reproduzia”, conta.

Mardilson Torres

O irmão também foi importante para que ele descobrisse o talento com os pincéis e lápis. “Um outro fato é que meu irmão mais velho desenhava e foi também um grande incentivador, pois ele gostava que eu desenhasse. Meu irmão ficava pousando, sentado, tomando cerveja e eu fazia de observação. Foram momentos marcantes”, relembra.

O pai de Mardilson, o professor Moisés Carneiro Torres, deu sua parcela de contribuição. Segundo o pintor, o pai era técnico de futebol e, às vezes, algumas blusas do time vinha sem a numeração, então, ele ajudava o pai a pintar o uniforme dos atletas. “ Meu pai era técnico de time de futebol e eu ajudava ele a pintar os números das camisas, pois alguns uniformes vinham sem numeração, então, eu fazia isso com meu o pai”.

Com o passar do tempo, Mardilson ficou um pouco distante do trabalho de pintura. Contudo, a arte sempre o puxava para perto dela. O autor de belas telas, fazia letreiros para comércio, dentre outros serviços. Mas o grande divisor de água na vida do artista, foi ter ganho o concurso de desenho da Bandeira do Município de Bujari. O pai dele é o autor do hino do município e escreveu dois livros sobre a cidade, vizinha a Rio Branco, capital do Estado do Acre. “A gente vai crescendo e se ligando em outras coisas. Mas apesar de passar muito tempo sem praticar, sempre aparecia algum trampo, fazia desenhos, letreiros de comércio. Ou seja, por mais que eu quisesse me afastar, a arte estava impregnada no meu íntimo. Sendo que em 1992 ganhei o concurso do desenho da bandeira do Bujari-Ac, na qual meu pai é autor do hino”, narra com entusiasmo.

Outra história que ele narra com um sorriso no rosto, é sobre uma charge do ex-prefeito Jorge Kalume socando um adversário político. O político gostou tanto do desenho, que o presenteou com uma bolsa de estudo. “Sempre gostei de fazer caricaturas e charges.  Lembro de uma vez que fiz uma charge do saudoso ex-prefeito Jorge Kalume, dando um soco, numa luta de boxe com o Ariosto Pires Migueis, seu opositor. E um amigo de meu pai viu o desenho e levou ao então prefeito, que me agraciou com uma bolsa de estudos”.

Mardilson sempre trabalhou com artes, publicidade. Fez curso no SENAC, graduou-se em Artes Visuais pela UnB, deu aula no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Ele também diz que suas obras, na grande maioria, são inspiradas nas mirações que vê na luz da Ayahuasca (Santo Daime- religião que ele segue). “Depois dos 20 anos trabalhando em algumas casas de publicidades, onde foi uma escola. Fiz aqueles cursos de desenho artístico e publicitário por correspondência, e fiz um presencial de desenho básico no Senac. Sempre ganhei dinheiro com trabalhos de desenhos e pinturas. Uma vez roubaram um comércio de um vizinho e ele queria que eu fizesse um retrato falado. Foi muito engraçado esse episódio, porque ele ia descrevendo as características do suposto ladrão e eu ia rabiscando. Aí, meu pai chegou na hora e impediu que eu terminasse com receio de ficar parecido com alguém inocente (risos). Fui instrutor de artes do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Em 2013 me graduei em licenciatura de Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Paralelo a isso, estudei 2 anos num curso técnico da usina de Artes João Donato, com professores do circuito nacional, super referência. Conheci e vivenciei muitas técnicas das artes visuais, em especial, a pintura sobre tela e dentre as temáticas que gosto de pintar estão ligadas a minhas experiências com minha espiritualidade da Ayahuasca (santo Daime), porque gosto de pintar esse mundo dos seres da floresta.

Tela de Mardilson Torres inspirada nos padrinhos daimista . Foto: Jardy Lopes

Pequena curumim com uma busina e um papagaio . Arte de Mardilson Torres . Foto: Jardy Lopes

Foto: Jardy Lopes

Foto: Jardy Lopes

Foto: Jardy Lopes

Por Leandro Matthaus

Fotos: Jardy Lopes

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