terça-feira, outubro 20, 2020

Josman – Zagueiro saiu de Tarauacá para brilhar no futebol da capital

Quem assistiu as primeiras peladas do menino Josman de Paiva Neri, nas praias e ruas de Tarauacá-AC, no início da década de 1980, não teve dúvidas: ali estava uma grande promessa de craque. Dessa forma, por conta do ótimo trato com a bola, no início de 1986, aos 13 anos (ele nasceu no dia 4 de maio de 1972), ele ingressou na base do Londrina da sua cidade natal.
A promoção para o time principal do Londrina se deu logo depois de Josman completar 16 anos, em 1988. Foi promovido pelo seu pai, Zé Neri, que era o organizador do time. Um dia faltou um atleta e ele perguntou se Josman topava jogar. Josman topou e passou a figurar entre os titulares nos jogos seguintes, alternando funções como lateral, zagueiro e meio de campo.
O craque só foi se fixar como zagueiro em 1989, depois de um jogo entre o Londrina e o Curitiba, pelo campeonato municipal de Tarauacá. Ele foi eleito o melhor homem em campo nesse jogo. Uma posição que ele confirmou depois, em 1990, quando estreou na seleção da cidade, num jogo contra a seleção de Feijó. Uma prova de fogo na qual ele passou com méritos.
Depois do Londrina, ainda em Tarauacá, entre 1989 e 1991, Josman jogou, por Curitiba, Vasco da Gama e Cruzeiro. Até que, lá pelas tantas, a cidade ficou pequena para o futebol dele. E aí veio a mudança para a capital, atendendo a um convite do professor Gualter Craveiro, seu conterrâneo, para vestir a camisa do Juventus. Era o ingresso do craque no futebol profissional.

Vasco da Gama (Tarauacá) – 1990. Em pé, da esquerda para a direita: Pedro, Josman, Adir, Esperidião Júnior, Mamá e Ney. Agachados: Pinheiro, Zé Anão, Célio Acioly, Pelezinho, Mauricinho e Careca. Foto/Acervo Josman Neri.

Melhor zagueiro do campeonato de 1991
O Juventus não conquistou o título de 1991. Perdeu a decisão para o Atlético, ficando com o vice-campeonato. Mas Josman foi eleito pela crônica esportiva o melhor zagueiro da temporada. Tanto sucesso lhe valeu uma oportunidade para fazer testes no Santos-SP. O craque disse que se encheu de alegria e esperança de que se tornaria um jogador conhecido no país.

Juventus – 1991. Em pé, da esquerda para a direita: Klowsbey, Sandro Noronha, Marcelo Carioca, Josman, Rocha e Paulão. Agachados: Agachados: Ramon, Paulo Henrique, Ulisses, Marcelinho e Renisio. Foto/Acervo Sandro Andrade.

Josman, Roberto Dinamite, Velho Lima e Zé Anão, com a camisa da seleção de Tarauacá, em 1991. Foto/Acervo Josman Neri.

A realidade, porém, foi chocante. No clube santista havia jogadores de todo o Brasil. E por ser oriundo de um estado pequeno, a discriminação com ele foi muito grande. “Teve um dirigente que chegou pra mim e disse que o Santos era mesmo uma mãe, que agora andava trazendo jogador até do Acre, lugar que só tinha índio”, afirmou Josman. Aí ele fez o caminho de retorno.
De volta ao Acre, Josman jogou em 1992 pelo Rio Branco. Como ainda era muito jovem, acabou disputando partidas tanto no time de juniores quanto no profissional. Depois disso, ele passou pelos seguintes times, até encerrar a carreira, em 2010: Londrina, Verona, Cruzeiro, Tarauacá e Praia (todos de Tarauacá), Flamengo (Feijó) e Juventus (1994, 1995 e 1996).
Pode-se dizer que Josman foi um jogador extremamente vitorioso. Apesar de haver disputado apenas cinco campeonatos profissionais, ele conquistou três títulos: um pelo Rio Branco (1992) e dois pelo Juventus (1995 e 1996). Além disso, levou também pra casa o título dos juniores de 1992, pelo Rio Branco, e inúmeros no futebol amador do interior do Acre.
 

Juventus – 1996. Em pé, da esquerda para a direita: Nego, Ico, Jorge Cubu, Hélio, Josman e Jorge Cubu. Agachados: Tinda, Sairo, Artemar, Adriano e Ney. Foto/Acervo Francisco Dandão.

Os caras mais difíceis de marcar
Josman elegeu cinco atacantes como os que mais trabalho lhe davam em campo: Venícius, Sairo, Dim, Ley e Gerson Meireles (este do futebol de Feijó). “Mas se eu tivesse de destacar um, entre esses cinco, eu escolheria o Venícius. Além de extremamente técnico, ele era rápido e se movimentava pra todos os lados. Um jogador imprevisível mesmo”, disse o ex-zagueiro.
Quanto a uma seleção de jogadores do seu tempo, Josman escalou o seguinte time: Klowsbey; Francisley, Josman, Paulão e Jorge Cubu; Hélio, Ulisses, Papelim e Paulo Henrique; Sairo e Venícius. Nos quesitos melhor técnico, dirigente e árbitro, ele destacou, respectivamente, Júlio D’Anzicourt, Roberto Chaar e José Ribamar. “Todos muito competentes!”.

Rio Branco (master) – 2015. Em pé, da esquerda para a direita: Marcos, Torres, Papelim, Ferleudo, Leitão, Tonho, Josman, Chicão e Paulo Roberto. Agachados: Ciro, Venícius, César, Neném, Francisco e Rocha. Foto/Acervo Josman Neri.

Zagueiro do tipo que não abria mão de ir ao ataque, Josman falou de dois gols inesquecíveis marcados por ele. O primeiro, de cabeça, jogando pela seleção de Tarauacá, contra a seleção de Cruzeiro do Sul. O outro, pelo Juventus, de pé esquerdo, num confronto contra o Atlético, aproveitando uma sobra de bola depois de um lance envolvendo o atacante parceiro Ivo.

Josman jogando pela AABB, em 2019. Foto/Acervo Josman Neri.

Formado em Educação Física, com especialização em Gestão Pública, Josman não se limita a usufruir as glórias do passado como jogador. Ao contrário disso, consta em seus planos de futuro contribuir para o crescimento do desporto da sua terra natal. “Sei que em Tarauacá tem muitos talentos. A gente só tem que identifica-los e apoiá-los”, concluiu o ex-craque.
Por Francisco Dandão
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Leandro Matthaus
Leandro Matthaus é graduado em Letras Português pela UFAC, radialista e narrador esportivo. Atuou nos sites Acrenoticias.com, Blog do Kaká, Tarauacá Agora, foi assessor de comunicação da Prefeitura de Tarauacá. No rádio, tem passagens pelas Rádio Nova Era FM 87,9 e Jordão FM 88.5 Cultural. Tem um programa na Rádio Juruá FM 100,9 (Programa Mistura Fina). Além de ser Vascaíno.

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