sábado, outubro 31, 2020

Com aquecimento global, crescimento do país e desperdício, demanda de água no Brasil pode aumentar quase 80% até 2040, aponta estudo

A demanda de água potável no Brasil pode aumentar quase 80% até 2040 diante de mudanças econômicas, demográficas e climáticas. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil com a Ex Ante Consultoria divulgado nesta quarta-feira (26) e obtido com exclusividade pelo G1.

O trabalho estima cenários da demanda futura de água no país para pensar como o setor de saneamento básico deve se planejar para conseguir atender a população de forma eficiente e sustentável.

Um dos principais cenários prevê mudanças expressivas no padrão de consumo dos brasileiros e uma elevação otimista do PIB per capita. O período analisado é de 2017 a 2040. Os dados mais recentes do setor se referem a 2018.

Considerando apenas os crescimentos econômico e demográfico dos próximos anos, os brasileiros devem demandar 14,3 bilhões de metros cúbicos de água em 2040. Esse valor é 43,5% superior à quantidade de água que foi efetivamente entregue para a população em 2017 (10 bilhões de metros cúbicos).

Isso significa, segundo o estudo, que o país precisaria de 4,4 Sistemas Cantareiras cheios a mais só para atender a água adicional em 2040.

“Os fatores econômico e demográfico são clássicos. O demográfico quer dizer que vai haver uma expansão da população, e, aí, surgem novas bocas para serem alimentadas e nutridas com água”, diz Fernando Garcia, o principal pesquisador do estudo.

Segundo ele, o consumo de água também aumenta com a idade, principalmente na idade ativa, de trabalho. “Esse processo de crescimento ainda é intenso no Brasil, o que deve gerar um aumento de demanda de água nas residências nos próximos anos.”

Já o aumento da demanda por causa de questões econômicas acontece principalmente quando existe crescimento com mobilidade social, em que as pessoas mudam para moradias melhores e demandam mais o serviço de água tratada.

“O Brasil está com uma tendência forte de reduzir a população rural e aumentar a população urbana. Mesmo que a pessoa continue trabalhando no campo, ela está morando na cidade. Isso faz com que as cidades cresçam e demandem mais água.”

Além disso, outro ponto importante é a ampliação da cobertura do serviço de água encanada. “Neste cenário mais otimista, o Brasil terá acesso universal ao serviço de água potável em 2040. É um cenário que a gente espera que ocorra, já que os indicadores estão crescendo, mesmo que lentamente, nos últimos anos”, diz Garcia.

Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2018, 83,6% da população brasileira é atendida com água tratada. Em 2011, esse percentual era de 82,4%.

“Consideramos um crescimento econômico razoável. Não é chinês, mas é parecido com o que tivemos nos últimos 15 anos. Também consideramos o ritmo de urbanização de acordo com o nosso histórico, mas aceleramos os investimentos para universalizar a água, já que a disposição de investir no setor está grande com o novo marco regulatório. É um mundo possível de ser atingido, mas é um desafio imenso.”

Desperdício de água

O desafio fica ainda maior se o país continuar mantendo os mesmos índices de desperdício e de perda de água na distribuição que tem hoje.

Atualmente, o Brasil perde quase 40% da água potável que produz por causa de vazamentos, roubos e erros de medição. Isso significa que a produção teria que aumentar ainda mais para que o país consiga entregar água para todo mundo que precisa em 2040.

O estudo considera que o país teria que produzir 7 bilhões de metros cúbicos de água a mais em 2040 se, além dos crescimentos econômicos e demográficos, o desperdício também for considerado. Isso equivale a um aumento de 70,5% em relação ao que foi entregue em 2017.

O trabalho também destaca que o que foi desperdiçado em 2017 (3,8 bilhões de metros cúbicos) quase seria suficiente para suprir a demanda incremental de água por conta dos crescimentos econômicos e demográficos no país (4,3 bilhões de metros cúbicos).

Ou seja, se o país conseguisse reduzir o desperdício, não precisaria captar muito mais água da natureza para cobrir o aumento de demanda dos próximos anos.

Por Clara Velasco, G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Popular

Jordão: extração do látex da seringueira melhora renda de moradores da reserva extrativista; venda da borracha injetou sessenta mil na zona rural do município

Durante quase cem anos , final do séc. XIX e até  meados de 80 do séc. XX, a borracha, produto extraído do látex da...

Tarauacá: Grupo Tático prende cinco homens por envolvimento com o tráfico de drogas

Na sexta-feira, 03, a Polícia Militar, por meio do Grupo Tático de Tarauacá, braço da corporação para o enfrentamento do crime organizado, conseguiu prender...

TARAUACÁ: 104 ANOS DE UM BELA HISTÓRIA

Por Isaac Melo (Blog Alma Acreana) BREVE HISTÓRICO - O século XIX é um século de grandes explorações na Amazônia. Surgem as famosas expedições de...

Cel. Ulysses será o vice de Minoru Kinpara e Major coordenadorá a campanha do ex-reitor da Ufac

Pedro Valério continua presidente regional do PSL no Acre e as candidaturas do interior tanto para o legislativo, como para o executivo será coordenada...