terça-feira, outubro 20, 2020

Tarauacá: Cacique Assis Kaxinawá diz que OGNs estão se aproveitando para lucrar em nome dos povos indígenas

O cacique Assis Kaxinawá, da aldeia Pinuya (colônia 27), a cinco quilômetros de distância da cidade de Tarauacá, procurou a reportagem do Portal Tarauacá para abordar temas relacionados à população indígena durante o período da pandemia.  Segundo o cacique, as ONGs estão se utilizando do povo indígena para lucrar e repassar cestas básicas com produtos próximos de vencer e que às vezes os índios nem comem aquele tipo de alimento, por exemplo, feijão, sardinha, conserva.

Eu não sou contra a doação de sacolão, mas o que eu quero, é que tá chegando alguns sacolões nas terras indígenas, mas os parentes não comem certo tipo de alimentos. Feijão, macarrão, sardinha, tem parente que não come. É um dinheiro jogado fora”, afirma o líder indígena.

Abacate

Cacique Assis Kaxinawá comendo peixe criado na aldeia

O cacique pede que chegue coisas melhores, para auxiliar na sustentabilidade. “Tem terra indígena que precisa de apoio, coisas que auxiliem na sustentabilidade. Precisamos de malhadeira, uma canoa, munição, para poder caçar e pescar. Tem aldeia que têm 17 lagos, mas o índio não tem como pescar. Isso é muita fartura, mas no momento não temos o material para pescar”, conta. “O arroz, feijão, macarrão tá sendo jogado fora. Por isso somos contra esse tipo de cesta básica. Se querem dar cesta básica, nos dê o anzol, a linha, a tarrafa, pra gente mesmo procurar nosso alimento. Porque estão se beneficiando com o nome da população indígena, alerta.

Assis afirma que o povo indígena está bem, mas se recebesse os recursos que as OGNs ganham em nome do povo indígena as coisas melhorariam ainda mais.  O comandante da menor terra indígena do país, com apenas 300 hectares de terra, é um exemplo quando o assunto é saber produzir o sustento da própria comunidade.

Na aldeia Pinuya tem plantio de graviola, abacaxi, banana que às vezes eles exportam para estados da região centro-oeste, mandioca, milho. Os indígenas também criam peixes e galinhas. “Na aldeia Pinuya vivem 240 índios, nós comemos, bebemos, fazemos nossa festa, nossa cura, vivemos bem, mas precisamos de um ramal melhor, um transporte. Então, nós não queremos é feijão duro, arroz vencido, sardinha. Apoiem as terras indígenas que nós procuramos nossa comida. Já fazemos isso aqui na aldeia”, cobra o líder.

O cacique afirma que povo precisa de apoio do governo do estado, das ONGs, apoio internacional, mas apoio de verdade. Segundo ele, foi o único da sua comunidade vítima da covid-19, contudo, faltou apoio da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). “Nessa pandemia não recebemos apoio de ninguém, peguei covid-19, a FUNAI não ajudou em nada”, afirma.

Banana

Mulheres indignas colhendo da banana

Graviola

Índios transportam banana de moto

Leandro Matthaus
Leandro Matthaus é graduado em Letras Português pela UFAC, radialista e narrador esportivo. Atuou nos sites Acrenoticias.com, Blog do Kaká, Tarauacá Agora, foi assessor de comunicação da Prefeitura de Tarauacá. No rádio, tem passagens pelas Rádio Nova Era FM 87,9 e Jordão FM 88.5 Cultural. Tem um programa na Rádio Juruá FM 100,9 (Programa Mistura Fina). Além de ser Vascaíno.

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