sexta-feira, abril 16, 2021

Morre o patriarcado ou morrem as mulheres

Muitos indícios vinham apontando uma falência do patriarcado ou, pelo menos, a ascensão do empoderamento feminino no Brasil desde fins do século XIX. Elas saíram de casa, foram trabalhar fora, abandonaram os espartilhos, puderam até votar e tomar anticoncepcional. Mas já podemos dizer que o século XXI é das mulheres? De todas as mulheres? Com algumas variações entre os Estados, o patriarcado diz que não.

Com 7 mortes a cada 100 mil mulheres nos anos de 2018 e 2019, o Acre se tornou, conforme o Monitor da Violência, um dos estados mais violentos para as mulheres, com maior taxa de feminicídios do país.

As duas últimas semanas no Acre demonstram um recrudescimento desta violência. Uma jovem de 17 anos foi morta e decapitada em Rio Branco, no dia 21 de fevereiro de 2020. Também em Rio Branco, outra mulher, de 38 anos, foi assassinada quando chegava no trabalho em dia 13 de abril de 2020. Em Tarauacá, uma jovem de 25 anos foi assassinada na presença do filho de 1 ano e 7 meses, no dia 15 de abril de 2020.

Estes casos têm pelo menos duas coisas em comum: as mulheres foram assassinadas em função do gênero (feminicídio) e os autores dos crimes eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas. O peso disto, no entanto, não tem sido avaliado com a devida severidade e as políticas de proteção à mulher ainda não assumiram seriamente o dever para com a desintegração das estruturas patriarcais.

A morte do patriarcado como condição básica da vida das mulheres é atribuição de todas e todos na sociedade, e não uma “guerra” das mulheres contra os homens. A luta pela igualdade de gênero implica uma educação familiar e escolar voltada para o respeito às mulheres e o direito à vida.

O feminícídio não é um assassinato comum, porque compartilha da ideia de subserviência feminina e do papel de dominação dos homens. Não obstante a violência contra a mulher mantenha relações com a pobreza e outras mazelas, uma coisa é fato: morre o patriarcado ou morrem as mulheres.

Por  Maria José Correia (formada em História pela UFAC e estudante de mestrado)- 17 de abril de 2020

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