Operação Usurpadoras: atual gestão de Capixaba continuou esquemas criminosos de antigo grupo, afirma PF

Duas secretárias da prefeitura municipal de Capixaba já se encontram presas na Superintendência da Polícia Federal, em Rio Branco, após deflagração da “Operação Usurpadoras”, que teve como objetivo chegar até as suspeitas de usar pessoas de baixa renda na cidade para usá-las como ‘laranjas’ em esquema criminoso de arrecadação de recursos.

Segundo a PF, as suspeitas usavam o nome e a conta bancária das vítimas para receber recursos fictícios, que na verdade, nunca foram prestados. O delegado chefe da investigação, Eduardo Gomes, disse em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 26, que “notas frias eram emitidas por serviços que nunca foram prestados. E depois que esses recursos eram passados para as contas das vítimas, eram repassados para as secretárias”.

De acordo com a Polícia Federal, a operação foi desencadeada logo após o afastamento do prefeito da cidade, José Augusto (PP), em 2018, durante a Operação Ícaro. O prefeito será ouvido, a princípio, como testemunha do caso.

A polícia inda faz um levantamento dos valores que podem ter sido arrecadados pelas criminosas, pois ainda há pessoas usadas como ‘laranjas’ que não se manifestaram – até mesmo por não saber que foram vítima de um golpe. “Pedimos que as pessoas possam nos procurar para que a gente chegue num valor total”, afirma o delegado da PF.

Foram cumpridos na manhã desta terça, dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão. “Diversas outras pessoas foram intimadas e estão sendo ouvidas na superintendência”, garante Gomes. “Desde então a PF vinha acompanhando a gestão do município e percebeu que o grupo que chegou ao poder deu continuidade a esquemas criminosos de uma maneira diferente do grupo anterior”, destaca o delegado.

Ambas as secretárias, segundo a investigação, tinham forte influência política no município. “Elas articulavam e cooptavam pessoas humildes e as convenciam de levar suas contas bancárias para receberem recursos e assim repassar a agentes públicos”, explicou.

Sobre a participação do ex-prefeito

O chefe da investigação disse que ainda não dá para afirmar que o prefeito sabia ou não dessas ações criminosas, mas que se o mesmo estiver envolvido, poderá ser comprovado com as investigações. “Não posso afirma que ele estava envolvido. Vamos verificar isso. O inquérito tem prazo de 15 dias para relatar os fatos e a investigação segue normalmente”.

A Polícia Federal comprovou que nenhum serviço constado em empenhos nas notas fiscais recolhidas foram prestados, o que se configura crime de peculato.

“Quando [as vítimas] perceberam que estavam sendo usadas, elas foram até a Polícia Federal e então começamos a formular as provas”, diz o delegado. Segundo Gomes, o esquema descoberto recentemente é só “a ponta do iceberg” do que ainda poderá ser comprovado na prefeitura de Capixaba.

“As secretarias abriram uma empresa no nome de uma das ‘laranjas’ para ganhar contratos com outros municípios”, diz a investigação. A PF ainda faz um pedido para que as demais vítimas que ainda não tenham procurado a polícia se identifiquem para colaborar com as investigações.

Por Ac24horas.com 

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