Conheça o “Come Cobra”, o “Maluco Beleza” de Tarauacá que tem a casa “mais diferenciada’ do Acre

Um personagem digno da letra do sucesso “Maluco Beleza”, de Raul Seixas, lançada em 1977. Assim pode ser considerada a vida de Francisco da Silva Oliveira, de 62 anos, conhecido popularmente pelo apelido de “Come Cobra”. Ele é dono da casa “mais diferenciada” de Tarauacá, cidade localizada a mais de 400km da capital Rio Branco.

Natural de Cruzeiro do Sul, “Come Cobra” vive há 26 anos em Tarauacá e reside com sua esposa no bairro Corcovado. Sua casa de madeira e de dois pisos, por ironia do destino, acabou se tornando um ponto turístico da Terra do Abacaxi. Com uma pintura que lembra a pele de uma Jiboia, a residência de Francisco chama atenção de todos que passam pela Travessa Gonçalo Rodrigues de Lima.

“Eu tô com uns três anos que mexo com pintura. Antes e até hoje sou marreteiro de mexer com galinha, porco, vendedor ambulante”, diz “Come Cobra”. “Essa decoração aqui começou eu sozinho mesmo. Comecei por uma tenda que eu tenho ali do lado, mas depois eu desmanchei. Isso é uma coisa que o cara já nasce com ela, essa cultura. É uma cultura, ninguém imita o outro é tá com três anos que comecei a culturar essas coisas tudinho”, explicou.

“Come Cobra” revela que sua casa “é diferenciada”. “Eu pensei apenas na minha arte, o que veio na minha cabeça, eu abarco, coloco. É uma cultura tipo espiritual. Eu fecho os olhos e vem na minha mente o que vou colocar. O que eu acho feio, eu desmancho”, ressalta o artista que faz questão de afirmar que sua moradia ainda está em construção. A residência é cravejada de pedras, sementes e também conta com ilustrações de corações e estrelas que segundo o autor “não tem significado nenhuma”.

O artesão revela que já trabalhou como mecânico, marreteiro e que agora tenta viver de cultura. “Essa cultura aqui se você não pega de criança, de adulto em diante você pega. Ela nasceu comigo. Eu nunca li nada sobre arte. Só eu faço isso. Banco de escola jamais ensinou isso para mim. Minha arte não tem significado. Eu só sei que é uma cultura, só não sei que cultura é essa. É o que vem na minha cabeça”.

Seu Francisco afirma que sua esposa acha a pintura da casa “legal” e que recebe muitos elogios de pessoas que passam no local. “A minha mulher acha legal, as pessoas que passam aqui na rua acham legal, diferente. Um dia desse um carro parou aí e disse Come Cobra deixa eu bater uma foto da sua casa e sempre deixo”, afirma o artista orgulhoso de sua obra.

Francisco revelou ao ac24horas o motivo do seu apelido “Come Cobra”. “Porque eu comi cobra logo que cheguei em Tarauacá. Eu comia cobra por causa da bebida. Mas isso hoje não influi em nada. Hoje eu não bebo mais. Eu comia jiboia. Isso não me afeta em nada. A pessoa que tem complexo com apelido ele é um inferior. Me chama de come cobra, eu atendo”, revela.

“A minha casa virou um ponto turístico em Tarauacá. O povo fica admirado de nunca ter visto algo parecido. Tem uns intelectuais que vem aqui e dizem que trabalha com cultura, mas nunca viram nada igual”, afirma o “Come Cobra”.

Além de vender galinhas, porcos e sua arte, “Come Cobra” diz que também vende anilhas e as batizou de “Spotinique” que é o nome que lembra “Sputinik”, uma palavra russa que significa satélite ou amigo viajante.

Animado com a visita da reportagem em sua casa, Seu Francisco mostrou também um microfone que “estilo Silvio Santos” que já vem com caixa de som que ele mesmo criou. “Com isso aqui eu vou para o mercado e anuncio minhas coisas para vender”, brinca.

Por Marcos Venícios, Ac24horas.com

Foto: Jardy Lopes 

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