Indígenas acadêmicos da UFAC produzem livros contando a história do seu povo

Ao longo da história a escrita tem sido essencial para registrar e manter viva a cultura de inúmeros povos. E, com o pensamento de contribuir para a preservação da cultura do povo indígena da região do Vale do Juruá (tronco linguístico pano), a professora doutora Vera Bambirra, da Universidade Federal do Acre, que ministrou a disciplina de Línguas Indígenas e Língua Portuguesa para os discentes do curso de Licenciatura Indígena, do Campus Floresta na cidade de  Cruzeiro do Sul, trabalhou junto com a turma de 48 estudantes indígenas a produção de livros que narram a história de cada uma das etnias dos acadêmicos.

Alunos da etnia huni kui ( Kaxinawá).

 

 

 

 

 

 

 

De julho a dezembro, os alunos sob a orientação da docente pesquisaram nas suas aldeias a história de seu povo para poder transcrever as narrativas. Os livros incluem desde a formação religiosa a produção alimentícia. Ainda contemporaneidade, o conhecimento a respeito de seus antepassados é transmitido de pai para filho, ou na grande maioria pelos pajés- que são os responsáveis pela cura espiritual do povo e, também, por transmitir o conhecimento relacionado a preservação dos costumes indígenas.

Alguns livros foram produzidos manuscritos. Outros os alunos fizeram o uso da tecnologia. Mas os desenhos que retratam a história e trazem os traços de cada etnia foi manual. Destarte, que muitos dos livros estão grafados nas línguas: portuguesa e indígena.

Segundo Vera Bambirra, o objetivo desse trabalho é preparar os acadêmicos, professores na sua maioria, para que eles também levem seus respectivos alunos a produzirem livros. Além disso, ela afirma que é uma forma de fortalecer a cultura dos povos indígenas, bem como auxiliá-los no desenvolvimento da escrita. O contato da educadora com a cultura indígena vem desde seu curso de doutorado, quando ela fez pesquisa sobre a língua indígena na aldeia dos  Katukina.

Vera Bambirra

A aluna Patricia Huni kui, da etnia Kaxinawa e moradora da aldeia Pinuya, ressaltou que experiência foi bastante enriquecedora, pois além do aprendizado, também contribui para o registro da cultura do povo.

     

O lançamento dos livros foi realizado no dia 12 de dezembro, na própria universidade. Para abrilhantar o momento, a também professora doutora Maria José organizou um recital de poesias, além disso, os alunos fizeram apresentações de músicas e danças indígenas.   

Por Leandro Matthaus

 

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