TARAUACÁ: PROFESSORA FRANCISCA ARAGÃO E SUA INVEJÁVEL BIOGRAFIA – UMA VIDA INTEIRA DEDICADA À EDUCAÇÃO

Dezembro de 2018, marca a aposentadoria da professora Francisca Aragão Leite das atividades de educadora que exerceu desde o ano de 1958, quando iniciou sua missão de educadora atuando como professora alfabetizadora. De lá pra cá, atuando na sala de aula, na direção de escola ou na gestão da educação, construiu uma trajetória reconhecidamente competente e invejável,    Foram 60 anos dedicados à educação do município de Tarauacá.

Num evento promovido pelos servidores do Núcleo Estadual de Educação para marcar a sua despedida, a professora Aragão falou aos presentes: “Um trabalho que me dediquei exclusivamente com muito esforço, determinação, compromisso e responsabilidade. Hoje colhemos os frutos do que plantamos ao longo dessa jornada. Agradeço às equipes das escolas, do núcleo de educação e aos professores de Tarauacá. Estou tranquila e serena, porque foram anos de muita luta, trabalho e construção. a sociedade vai colher os frutos desses longos anos de trabalho. Obrigado e quero dividir com vocês todo amor que tenho na minha alma e tudo isso posso resumir numa palavra que é GRATIDÃO” , destacou.
Abaixo, leia a biografia da Francisca Aragão Leite.

Francisca Aragão Leite nasceu no Seringal Novo Porto, Rio Murú, em Tarauacá, hoje município de Jordão, no dia 29 de outubro de 1942. Filha de Ataliba Ximenes e de Maria Lima Aragão, com os quais tinha uma excelente relação de amor e carinho. Ambos sabiam ler e escrever, por isso valorizava a Educação e o respeito para com o ser humano. Criada nesse clima familiar e harmonioso herdou de sua mãe a paixão pela educação, que a levou a aceitar todos os desafios a ela colocados. 

Iniciou seus estudos no Seringal Novo Porto, em uma sala de aula, construída no barracão onde morava, com uma professora paga por seu pai. Em 1952, aos 10 anos veio para Tarauacá, estudou na escola João Ribeiro e concluiu o 1º grau em 1957. 
Em 1958 ano começou a trabalhar como professora num programa da prefeitura com alfabetização de jovens e adultos, que funcionava no prédio da Maçonaria. 
Em 1964 fundou o Instituto São José, na qual foi a 1ª professora. 
Em 1968 foi para Manaus, cursar a escola normal no convento Preciosisssimo Sangue. 
Em em 1973, concluído o curso, foi para Rio Branco cursar faculdade de pedagogia pela Universidade Federal do Acre. Enquanto estudava, continuava a trabalhar como professora. Nesse período exerceu a função de diretora das escolas Delzuíte Barroso e Plácido de Castro. 
Em 1976 foi nomeada representante do governo estadual na educação em Tarauacá exercendo o cargo de Inspetora de Ensino, período em que fundou a Escola de Ensino Médio Dr. Djalma da Cunha Batista, onde também exerceu o gargo de diretora. 
“Só a educação transforma”, diz Francisca Aragão (Foto: Angela Peres/Secom)
Uma matéria publicada na Agência de Notícias do Acre no ano de 2013, conta como foi a atuação de Francisca Aragão para criar em Tarauacá uma escola de ensino médio (Leia abaixo)
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No ano de 1976, a isolada Tarauacá ainda não tinha uma escola de “segundo grau” (ensino médio). Francisca Aragão Leite, inspetora de ensino, não se conformava. E correu atrás de seu sonho.
Com a cara e a coragem, viajou para Rio Branco e pediu uma audiência com o governador do Estado, Geraldo Mesquita. Esperou, esperou e conseguiu. Ele a ouviu e disse:
– A senhora é muito ousada de vir aqui pedir o segundo grau para Tarauacá! Nem Feijó, que é a minha cidade, tem!
Ela não se intimidou:
– Governador, o que eu sei é o que a minha cidade precisa…
– Mas quem foi que custeou a sua passagem até aqui?
– Eu mesma, governador.
E não arredou. Ele, diante da insistência daquela mulher que sabia muito bem o que queria, viu-se numa saia justa e tentou uma última cartada:
– Mas aí a senhora teria que ser a diretora.
Francisca, que já trabalhava de manhã e à tarde, encarou o período noturno também:
– Aceito.
E voltou para sua Tarauacá com a sonhada vitória nas mãos. Essa é apenas uma das histórias que demonstram a fibra dessa tarauacaense com seus anos de vida dedicados à Educação em seu município. 
Formanda da segunda turma de Pedagogia da Universidade Federal do Acre (Ufac), Francisca iniciou sua carreira profissional em 1958, como professora municipal. Além de atuar 36 anos em sala de aula, passou por diversos cargos em sua área: coordenadora, inspetora, diretora e, como não poderia deixar de ser para alguém do seu gabarito, secretária municipal. Também foi presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Os obstáculos não têm sido poucos, nem pequenos. A educadora narra o esforço de fazer chegar os programas educacionais até as escolas de mais difícil acesso no município. Relata expedições de burro e de barco. Há localidades que estão distantes oito dias, rio acima.
Não bastasse, durante anos, ao perceber que os alunos da escola que dirigia não tinham opções de lazer, promovia, nos fins de semana, atividades recreativas em sua rua. Como resultado, Francisca é testemunha dos progressos do Estado: E há conquistas mais subjetivas, mas igualmente relevantes: “A noção de cidadania está se desenvolvendo. A gente está conscientizando a família sobre a educação dos filhos. As pessoas hoje pedem escolas e reclamam da atuação de profissionais quando não estão satisfeitas”, observa. 
Assim, pelas suas palavras e atitudes, Francisca transmite credibilidade, determinação e satisfação consigo própria. Poder afirmar, com sinceridade “gosto muito da minha vida e do que faço”, como ela faz, olho no olho, é um dos maiores patrimônios que um ser humano pode desfrutar. Tarauacá – e o Acre – precisam tirar o chapéu para uma pessoa assim. Que, com simplicidade, ideais e muito trabalho ajudou a construir uma realidade melhor para o mundo em que vive.
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Até 1982, dividia suas atividades assim: Nos períodos da manhã e tarde dedicava-se à inspetoria de ensino. À noite, além de diretora, também lecionava na escola de ensino médio, como professora de didática geral e de estrutura e funcionamento. 

Vereadora de 1983 a 1988
Além de educadora Francisca Aragão exerceu o mandato de vereadora de 1983 a 1988, período que corresponde a 6ª legislatura da Câmara de vereadores de Tarauacá. 
Em 1989 assumiu a secretaria municipal de educação, conseguindo trazer para o município o primeiro curso de ensino superior na área de pedagogia contemplando 80 vagas, o qual ficou como coordenadora até 1992. 

De 1993 a 1997, exerceu os cargos de professora e coordenadora do ensino médio.
Mesmo com seu tempo dedicado exclusivamente para a educação, a Professora Aragão dedicava-se ainda à obra de Deus, como católica praticante e atuantes nas ações desenvolvidas pela paróquia São José, da qual é integrante.
De 1997 a 2012 exerceu o cargo de  Secretaria Municipal de Educação, período em que criou as condições para realização de concurso público, formação em ensino médio para professores rurais e implantação do Plano de Cargos Carreiras e Salários – PCCR dos servidores da educação municipal, após a criação do FUNDEB. Nessa época, foi eleita presidente da União de Secretarias Municipais de Educação – UNDIME, período em que conseguiu dinamizar o trabalho das Semes, com cursos de formação, congressos e fóruns. 
Em 1999 foi nomeada gerente do Núcleo da Regional de Tarauacá. 
De 2003 até hoje exerceu a função de Coordenadora Estadual de Educação em Tarauacá, função pela qual se destacou brilhantemente qualificando e elevando os níveis de educação do município a patamares invejáveis. Isso se deve ao fato de sua incansável luta pela oferecimento de ensino superior, chegando a formar somente em Tarauacá 1.250 (um mil, duzentos e cinquenta) professores, através de programas e parcerias do governo do estado com as universidades federais como UFAC, UFAM, UNB e outras. 
Modernizou a gestão no Núcleo de Educação Estadual no município com a criação de um organograma definindo coordenações para setores específicos no campo administrativo, pedagógico e rural. Contribuiu com a construção e ampliação das escolas rurais nas comunidades residentes nos Rios Murú, Rio Tarauacá e BR 364, para oferecer ensino fundamental e médio. 
Somente no ensino médio através do Programa Asas da Florestania foram formados uma média de 2000 (dois mil aluns). 
Quando assumiu o núcleo encontrou 11 escolas em condições precárias e hoje já são 29 com estruturas físicas adequadas, incluindo aí as escolas indígenas.
Na zona urbana foram revitalizadas, climatizadas e equipadas todas as 8 (oito) escolas, criando assim um ambiente favorável às ações pedagógicas necessárias à formação dos alunos. 
1.250 (mil duzentos e cinquenta) professores foram formados em nível superior durante sua gestão através dos programas como PROFORMAÇÃO, PROSABER, PROFIR, PROEMAT E PARFOR. Em março de 2019 mais 250 professores das áreas rurais estarão se formando em nível superior pelo PARFOR. 
Em 2018 duas mudanças significativas no ensino médio em Tarauacá. A implantação do Ensino de Tempo Integral na Escola Djalma Batista e Ensino Médio Regular na Escola João Ribeiro. Colaborou e firmou parcerias para a criação de Programas como Proerd e Bombeiro Mirim, implantados com participação do núcleo de educação. 

Para quem começou sua carreira de educadora trabalhando como alfabetizadora de jovens e adultos, a Professora Francisca Aragão encerra assim seu ciclo na educação como uma das grandes colaboradoras para a criação e implantação do Programa “Quero Ler”, que promove uma verdadeira revolução no processo de alfabetização do povo que não teve oportunidade de estudar.

Colaboraram 

Leandro Matthaus – Blog Tarauacá Agora e Portal Tarauacá
Raimundo Accioly – Blog do Accioly e Portal Tarauacá
Onides Bonaccorsi Queiroz – Agência de Notícias do Acre

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