Governo do Acre estuda decretar situação de emergência por estiagem

Representantes dos órgãos que compõem a Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais (CEGdRA) realizaram mais uma reunião técnica de avaliação da situação de estiagem no Acre nesta terça-feira, 15. O encontro foi realizado na sede do comando-geral do Corpo de Bombeiros Militar (CBMAC).

Desde o início do verão amazônico, o número de queimadas em toda a região aumentou consideravelmente. Mesmo estando na sétima posição entre os nove estados da Amazônia, o Acre registrou 371 focos de calor somente no mês de agosto.

“Nós pedimos à população que não provoque qualquer tipo de queimada, pois com o tempo seco a tendência é de que o fogo tome proporções maiores e se torne um incêndio”, alertou o coronel Carlos Batista, coordenador da Defesa Civil Estadual.

Fiscalização

A força-tarefa envolvendo os órgãos de comando e controle segue no monitoramento das áreas mais críticas.

Nas últimas semanas, os fiscais do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Ibama e Batalhão Ambiental estiveram em Acrelândia, Feijó, Sena Madureira, Manoel Urbano e Tarauacá.

Nos próximos dias as ações serão realizadas em outras cidades e devem envolver pelos menos 30 agentes públicos.

“O Ibama já autuou alguns produtores em mais de R$ 1,5 milhão e embargou várias áreas. O Imac também já aplicou mais de R$ 500 mil em multas. Nós temos alertado a população, pois estamos punindo administrativamente e criminalmente os responsáveis”, lembrou Paulo Viana, diretor-presidente do Imac.

Segundo Miguel Félix, o Depasa já pôs em prática as ações do Plano de Contingência (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Abastecimento

A previsão é de que até o próximo domingo,  20, Rio Branco registre pelo menos 15 milímetros de chuva. Nas últimas 24 horas o nível do nível Rio Acre apresentou um aumento de sete centímetros e estava com 1,67 metro na manhã desta terça-feira.

O Departamento Estadual de Pavimentação de Saneamento (Depasa) já pôs em prática algumas ações previstas no plano de contingência da autarquia. As bombas flutuantes operam com normalidade e a capacidade de abastecimento está mantida.

Algumas regiões de Brasileia, Porto Acre e Rio Branco estão sendo abastecidas com o auxílio de carros-pipa. Escolas e unidades de saúde são priorizadas.

“Nós temos algumas comunidades no entorno da capital que são abastecidas por poços e outros reservatórios que neste período acabam secando. As pessoas não podem ficar sem água, e nós já estamos adotando todas as providências necessárias”, destacou Miguel Félix, superintendente do Depasa Rio Branco.

Decreto de emergência

Com base nos levantamentos realizados pela coordenação da Defesa Civil Estadual e pelo Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), o governo do Acre estuda decretar situação de emergência em virtude do severo período de estiagem.

Por meio da Casa Civil, o governo do Acre deve convidar o Ministério Público Estadual (MPE) e as federações de Agricultura e Indústria a integrar a força-tarefa contra as queimadas e o desmatamento.

“São três municípios afetados pela estiagem, inclusive com a perda de lençol freático, e temos um clima propício para a propagação do fogo e a escassez de água. É muito provável que até o fim da semana o governador Tião Viana decida pela decretação do estado de emergência”, afirmou Márcia Regina Pereira, secretária-chefe da Casa Civil

Travessia na balsa

Com o decreto de situação de emergência por parte do governo de Rondônia na região da Ponta do Abunã, na BR-364, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) já iniciou o trabalho de preparação de novos pontos de atracagem.

Algumas dragas também devem ser instaladas para retirada de areia e outros sedimentos do leito do Rio Madeira, o que facilita a navegação das quatro balsas que operam no momento.

Secom/Acre

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