quarta-feira, setembro 30, 2020

TARAUACÁ: V Festival Mariri da etnia Yawanawá

Imagens da abertura do V Festival Mariri da etnia yawanawá, na aldeia Mutum, Rio Gregório, região do município de Tarauacá (AC). Denominada de saiti munuti, a abertura é uma ação de agradecimento aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e pelos momentos de alegria que a comunidade vivencia, além de uma saudação de boas vinda aos visitantes. Os cantos e danças yawanawá são expressões culturais cultivados pela etnia desde tempos imemoriais. Os yawanawá dizem que os cantos das rodadas de mariri servem para chamar a força dos ancestrais, conectá-los com a natureza e elevar seus espíritos ao Criador.

Os yawanawás para chegar a este ponto existe uma longa história coletiva de resistência, mortes, sofrimento, superação e conquistas.

Os yawanawá (yawa/queixada; nawa/gente) habitam a parte sul da Terra Indígena Rio Gregório -a primeira demarcada no Acre- compartilhando-a com os katukina da aldeia Sete Estrelas, no município de Tarauacá. A língua yawanawa pertence à família linguística pano, sendo a maior parte da população (quase 1000 pessoas) bilíngüe.

No século passado, lutaram contra o genocídio, foram escravizados por seringalistas que se apossaram de suas terras e depois dominados por missionários evangélicos norte-americanos da Missão Novas Tribos do Brasil.Os missionários se instalaram com avião, potentes equipamentos de rádio e a Bíblia, que foi traduzida para a língua yawanawá.
Durante anos, os missionários reprimiram todas as manifestações culturais e espirituais com o argumento de que eram “coisa do diabo” enquanto abriam caminho para impor a cultura ocidental cristã ao povo a pretexto da promessa de salvação de suas almas.
Com apoio de amigos, como o antropólogo Terri Aquino, os yawanawá expulsaram os missionários, passaram a lutar pela demarcação de suas terras e depois resgataram todas as manifestações culturais, artísticas e espirituais.Ainda muito jovem, estimulado pelo antropólogo, Tashka Peshaho Yawanawaveio para Rio Branco, em seguida foi estudar nos EUA, aprendeu a falar inglês fluentemente, conquistou o respeito de empresas e personalidades e se tornou um liderança conhecida mundialmente.
Duas mulheres da tribo, Hushahu Yawanawa e Putanny Yawanawa, romperam uma tradição masculina e se tornaram as primeiras pajés da etnia. Maria Gilda Yawanawa é médica em Rio Branco e sua tia Mariazinha Yawanawa, além de liderança, se tornou estilista. As coleções de roupas e acessórios que ela cria estão todas conectadas com a cosmogonia yawanawá.
A história deste povo é exemplar para todos nós. “Nós somos como queixadas: todos juntos”. Tomando as queixadas (yawa) como símbolo, o discurso yawanawá reafirma a coesão grupal e uma relação estável com o território que na atualidade constitui a Terra Indígena Rio Gregório. Eu sou yawanawá.
Saiba mais no site Povos Indígenas no Brasil: https://pib.socioambiental.org/pt/povo/yawanawa/1200
Escrito por Altino Mahado

Fotos: Altino Machado

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